PCC paga R$ 5 milhões para informante por áudio de reunião de Lincoln Gakiya com a Rota


O promotor de justiça Lincoln Gakiya, é um dos maiores especialistas em combate ao PCC. | Foto: Raoni Maddalena

O jornalista Josmar Jozino, publicou em sua coluna no UOL, que o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente, voltou ao centro de um dos casos mais delicados envolvendo o PCC após a reabertura da investigação sobre o vazamento de um áudio sigiloso vendido por R$ 5 milhões à facção criminosa.

Em depoimento à Corregedoria da Polícia Militar, Gakiya foi categórico ao defender um policial penal que participou da reunião gravada, realizada em 6 de outubro de 2021 no quartel da Rota. Segundo o promotor, o agente é de sua “estrita confiança” e não teve qualquer participação no vazamento. Para ele, a responsabilidade recai sobre integrantes da própria Rota.

A apuração foi retomada por determinação da Justiça Militar, após um primeiro Inquérito Policial Militar (IPM), aberto em 2024, ter sido arquivado. Agora, um novo IPM investiga sete policiais militares ligados ao setor de inteligência da Rota — um deles já está preso.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pela Corregedoria apontam que o PCC pagou R$ 5 milhões para obter o conteúdo da gravação. O vazamento comprometeu operações em andamento e impediu a prisão de líderes da organização criminosa.


Apesar do avanço das apurações, ainda não se sabe quem recebeu o dinheiro. À época, o então comandante da Rota, José Augusto Coutinho, chegou a atribuir a responsabilidade ao policial penal — versão rebatida por Gakiya.

O caso também se conecta a uma rede mais ampla de suspeitas envolvendo policiais e integrantes do PCC. O inquérito anterior indicava dois núcleos de vazamento de informações: um dentro da Rota e outro espalhado por batalhões da capital. Entre os possíveis beneficiados estariam criminosos ligados à facção, alguns já mortos ou presos.

Com a nova investigação, autoridades tentam esclarecer definitivamente quem, dentro das forças de segurança, teria facilitado o acesso da maior organização criminosa do país a informações estratégicas — e reforçam o peso do posicionamento de Gakiya na condução do caso.

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