Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena na Índia após um novo surto do vírus Nipah, patógeno com alta taxa de mortalidade e classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de potencial epidêmico.
O isolamento ocorreu depois que dois profissionais da área da saúde foram diagnosticados com a infecção no início de janeiro. O vírus pode causar infecções respiratórias graves e encefalite, além de apresentar alto risco de evolução para óbito.
Segundo a infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana, o Nipah é especialmente agressivo ao sistema nervoso central. “Os sintomas iniciais se assemelham aos de uma virose comum, como febre, dor no corpo e dor de cabeça, mas podem evoluir rapidamente para alterações neurológicas graves e até a morte”, explica.
A especialista ressalta que a maior preocupação está concentrada na Índia e em países vizinhos, onde vive o principal hospedeiro do vírus, um tipo de morcego frugívoro. Não há registros da doença no Brasil nem em outros países da América Latina.
Transmissão e sintomas
De acordo com a OMS, o Nipah é uma doença zoonótica, transmitida de animais — principalmente morcegos e porcos — para seres humanos. A infecção também pode ocorrer por alimentos contaminados ou por contato direto com pessoas infectadas, sendo mais comum entre profissionais da saúde.
Entre os principais sintomas estão:
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febre, dor de cabeça e dores musculares;
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dificuldade respiratória;
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encefalite, com confusão mental, sonolência, convulsões e outros distúrbios neurológicos.
Nos casos mais graves, a doença pode levar ao coma e à morte, além de deixar sequelas neurológicas permanentes em sobreviventes.
Alta letalidade e histórico
A taxa de mortalidade do vírus pode chegar a 70%, já que não existe vacina nem tratamento específico, sendo possível apenas o controle dos sintomas.
Identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, o vírus já causou surtos recorrentes em países como Bangladesh e Índia. Em 2018, o pior surto indiano resultou na morte de 17 das 18 pessoas infectadas.
Especialistas alertam que a perda de habitat natural tem aumentado o contato entre humanos e animais silvestres, favorecendo o surgimento de novas infecções. A OMS também aponta risco potencial em outras regiões da Ásia e da África, onde o vírus já foi identificado em espécies de morcegos.





