O presidente da União das Entidades de Presidente Prudente e Região (UEPP), Ricardo Macedo, 45 anos, avaliou positivamente os resultados das eleições de 2026 e considera que houve avanço na conscientização dos eleitores sobre a importância de fortalecer a representatividade política regional.
A entidade promoveu a 8ª edição da Campanha Vote Consciente, com apoio da Associação Comercial e Empresarial de Presidente Prudente (Acipp), da 29ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Grupo Lidera.
Em entrevista ao Diário de Prudente, o presidente da UEPP, o advogado Ricardo Macedo, falou sobre o desempenho dos candidatos ligados ao Oeste Paulista, com destaque para a eleição de Guilherme Piai para a Câmara dos Deputados e a reeleição de Mauro Bragato para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Macedo também analisou a votação de candidatos de outras regiões e os desafios para ampliar a representatividade política do interior.
Na conversa, o dirigente detalhou as prioridades que a entidade pretende defender junto aos parlamentares eleitos, incluindo obras de infraestrutura, melhorias nas rodovias, conclusão da reforma do aeroporto de Presidente Prudente e mudanças no sistema eleitoral. Macedo ainda ressaltou a importância de acompanhar a atuação dos representantes eleitos e cobrar o cumprimento dos compromissos assumidos com a população regional.
Diário de Prudente — A UEPP lançou a 8ª edição da Campanha Vote Consciente com o objetivo de fortalecer a representatividade de Presidente Prudente e região. Após o resultado das eleições, qual é a avaliação da entidade sobre a conscientização dos eleitores?
Ricardo Macedo — Entendemos que o impacto foi positivo, e que a campanha atingiu seu objetivo, visto termos conseguido eleger um deputado federal, Guilherme Piai, e um Deputado Estadual, Mauro Bragato, além dos deputados Reinaldo Alguz, com base em Dracena, e Ricardo Madelena de Ourinhos, cidades próximas.
Os seis primeiros colocados dos deputado estaduais receberam mais de 270.000 votos, são eles: Reinaldo Alguz (MDB) (101.946 votos), Mauro Bragato (PSD) (79.157 votos), Maria Constantino (Republicanos) (41.264 votos), Roger Gasques (Podemos) (26.471 votos), Carolina Simon (Psol) (11.919 votos) e Adolfo Padilha (PL) (10.638 votos).
A 10ª região administrativa teve 512 mil votantes, sendo que 270 mil votaram em candidatos daqui. Mais da metade votou em candidatos da região. Assim a proporção é bem maior que da última eleição geral, de 2022. No entanto, ainda estamos fazendo o levantamento dos números, mas fica claro a mudança do eleitorado.
Diário de Prudente — Guilherme Piai foi eleito deputado federal com 182.328 votos, dos quais cerca de 55 mil foram conquistados em Presidente Prudente. Mauro Bragato, reeleito deputado estadual, recebeu 79.157 votos no Estado, sendo 13.631 em Prudente. Como a UEPP avalia a votação destes dois parlamentares ?
Ricardo Macedo — Piai demonstrou sua consolidação como um líder regional, com forte influência na cidade. Levando em conta que pouco mais de 128 mil eleitores prudentinos compareceram para votar, Piai obteve quase metade dos votos, o que é muito expressivo e demonstra o apoio da população local. Agora, os quase 130.000 votos restantes demonstram o reconhecimento do eleitorado pelo trabalho que Piai desenvolveu à frente do ITESP e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Certamente se ele não tivesse apresentado um excelente trabalho não teria recebido tantos votos em todo o Estado, mérito dele.
Já Bragato reafirmou sua abrangência regional, não se limitando à Prudente, já que recebeu votos em vários municípios, de forma pulverizada. Bragato recebeu voto em 330 municípios, do total de 645, o que confirma sua capilaridade e sua atuação regional, não se limitando a uma cidade.
Diário de Prudente — Apesar da eleição de Piai e da reeleição de Bragato, candidatos de fora da região também receberam votos expressivos em Presidente Prudente. Como Lucas Pavanato (6.216 votos), Erika Hilton (3.416) e Kim Kataguiri (1.835), além de Eduarda Campopiano (3.997 votos), Carlos Giannazi (1.993) e Eduardo Suplicy (1.368). Esses números indicam que ainda há um desafio para ampliar a preferência do eleitorado por candidatos com atuação regional?
Ricardo Macedo — Acredito que enquanto não tivermos o voto distrital ou voto distrital misto não teremos como mudar o entendimento do eleitorado, pois sempre haverá aquele eleitor que simpatiza com um candidato que não seja da região, sendo legítima sua decisão de votar nele. Mas, é preciso estar ciente que escolher candidatos que não sejam da nossa terra, significa abdicar da representatividade política e de recurso públicos, ou, trocando em miúdos, menos escolas, leitos hospitalares, ruas mais esburacadas etc. No sistema distrital, o território é dividido em distritos eleitorais, e cada distrito elege seu representante. No sistema distrital misto, uma parte dos representantes é eleita pelos distritos e outra parte é eleita por votação partidária proporcional.
Diário de Prudente — A campanha Vote Consciente conseguiu atingir o objetivo de estimular o voto em candidatos comprometidos com as demandas do Oeste Paulista? Na avaliação da UEPP, o que funcionou e o que precisa ser aprimorado para as próximas eleições?
Ricardo Macedo — Sim, e a prova disso é que, depois de anos, elegemos um deputado Federal e três estaduais, sendo um de Prudente (Mauro) e dois de cidades próximas (Reinaldo e Ricardo). Evidentemente o mérito é dos candidatos que trabalharam por cada voto que receberam, no entanto penso que conseguimos despertar no eleitor a importância de escolher candidatos da nossa terra. Os vídeos que divulgamos em nossas redes foi um ponto positivo, e talvez, nas próximas eleições podemos focar mais nas redes sociais, além de avaliarmos incluir na campanha a importância de ir votar, diante do elevado número de abstenção, fato este de nível nacional e não apenas local.
Diário de Prudente — Com Guilherme Piai na Câmara dos Deputados e Mauro Bragato na Alesp, quais são as principais demandas de Presidente Prudente e região que a UEPP pretende apresentar aos parlamentares eleitos? A entidade já trabalha com uma pauta prioritária para o desenvolvimento regional?
Ricardo Macedo — As principais pautas se referem a nossa infraestrutura, com duplicação de rodovias, a exemplo da Assis Chateaubriand, a tão esperada conclusão na reforma do aeroporto, uma definição sobre a questão ferroviária, a criação de um porto seco, aprovar a implementação do modelo de cobrança por quilômetro rodado (free flow) e tarifação justa nos pedágios das rodovias concedidas da região, reduzindo custos de transporte local, dentre outros. Especificamente com o Piai, vamos intensificar as medidas para que seja aprovada a reforma eleitoral, estabelecendo o voto distrital ou distrital misto. Ambos os candidatos assinaram o termo de compromisso elaborado pela UEPP, OAB e ACIPP, no qual constam estas pautas e outras que entendemos de suma importância para o desenvolvimento do Oeste Paulista.
Diário de Prudente — A representatividade política não depende apenas da eleição de candidatos da região, mas também da articulação entre municípios, entidades e parlamentares. Como a UEPP pretende acompanhar a atuação de Piai e Bragato e cobrar resultados concretos para a população do Oeste Paulista?
Ricardo Macedo — Solicitaremos aos dois candidatos, assim como ao Reinaldo e Ricardo, que tenham um canal de acesso fácil conosco, e acompanharemos as propostas e medidas que eles adotarem, além de sugerirmos àquelas que entendermos necessárias para alcançarmos os objetivos contidos no termo de compromisso que citei acima.
Diário de Prudente — Pensando nas próximas eleições, o resultado de 2026 deixa uma lição para as lideranças regionais e para os eleitores? O que precisa ser feito desde já para evitar que as demandas do Oeste Paulista percam espaço nas decisões estaduais e federais?
Ricardo Macedo — Sim, a principal lição é a maturidade que o eleitorado atingiu, descartando aqueles políticos sem pauta, e que baseavam sua campanha apenas em sua notoriedade nas redes sociais por motivos bobos. O eleitor também demonstrou não ter medo em escolher líderes jovens, como vimos na expressiva votação do Lucas Pavanato e da Eduarda Campopiano. Para as lideranças, fica o recado que o eleitor já não tem medo de mudar, e de escolher um candidato diferente daquele que votou na eleição passada. Então, não basta ficar na promessa e na conversa, se não agir e não cumprir aquilo que prometeu, certamente não terá sucesso na próxima eleição caso se candidate. Acima de tudo, precisamos fiscalizar os que foram escolhidos, mesmo que não tenham recebido nosso voto. É nosso papel votar e, depois, cobrar os eleitos.
Fonte: Diário de Prudente - www.diariodeprudente.com













