IPCA registra deflação em agosto e aumenta pressão por corte de juros, afirma economista da APAS


A deflação de 0,32% registrada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em agosto reforça, na avaliação da Associação Paulista de Supermercados (APAS), a necessidade de acelerar o ciclo de redução dos juros no Brasil.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a queda de agosto, o IPCA acumula alta de 3,11% em 2026 e de 4,22% nos últimos 12 meses.

Vale lembrar que esse resultado mostra que o processo de redução dos preços acelerou frente ao mesmo período do ano anterior, quando o índice havia apresentado deflação de 0,11%.


Para a entidade, o comportamento dos preços, somado ao ritmo mais fraco da atividade econômica, indica que não há necessidade de manter uma política monetária tão restritiva.

A queda foi influenciada principalmente pelos grupos Habitação, que recuou 1,87%, e Transportes. Os preços de alimentos e bebidas também seguem em trajetória de queda. A APAS já projetava uma deflação de aproximadamente 0,30% para o IPCA de agosto, e o resultado veio um pouco além do esperado pela entidade.

Para Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, os números mostram um cenário de inflação controlada e não justificam a manutenção dos juros em níveis elevados. Em sua avaliação, a taxa real de juros tem elevado o custo das dívidas para empresas e famílias e prejudicado setores como indústria, comércio e serviços.

Esse cenário pode comprometer o crescimento econômico no médio e longo prazo, já que a expansão sustentável depende da retomada dos investimentos.

Por isso, os dados de inflação corroboram a defesa da APAS de uma taxa de juros civilizada, ou seja, eles procuram acelerar o processo de redução de juros, porque a economia, até então, tem se mostrado minimamente resiliente, mas não por muito tempo. E segundo a entidade, a inflação não é um problema macroeconômico do momento.

Fonte: Diário de Prudente - www.diariodeprudente.com